Parar a ASAE?
Parece que o jornalista Pedro Rolo Duarte também descobriu os blogs e o seu grande potencial masturbador de egos. Escolheu a plataforma do SAPO (acho muito bem) e teve direito a uma recepção calorosa na primeira página do conhecido apontador.
Fui dar uma vista de olhos mas fiquei logo a “patinar” no segundo post do senhor, o qual pergunta se ninguém pára a ASAE. Parar? Devíamo-nos era orgulhar de ter algo que funciona aceitavelmente e nos protege a todos. Se há medo da ASAE é sinal que não se cumprem as regras do jogo, quem tem um plano de higienização ou tem todas as facturas em ordem não tem certamente problemas de receber uma fiscalização.
Mas o mal é a forma como este assunto é olhado, qualquer um tem direito a mandar a sua posta de pescada (congelada, provavelmente), Pedro Rolo Duarte diz o seguinte:
E dá que pensar: a ASAE era uma bela ideia para pôr alguma ordem na desordem que qualquer ser humano dotado de olfacto e olhar notava em restaurantes, mercearias, supermercados.
Não mais do que o essencial para garantir a saúde pública – ou seja, o chamado asseio.
Resumir a saúde pública e a segurança alimentar às boas praticas de higiene é simplificar demasiado um trabalho complexo. Pegando no exemplo da Misericórdia de Faro, se está a comprar peixe congelado “com medo” é porque existe uma desconfiança de que o produto não é mantido ou confeccionado nas condições que garantam a segurança daqueles que frequentam os refeitórios.
Aqui não estamos a falar só de asseio durante a manipulação, nem de boas práticas de higiene. O peixe fresco tem de ser refrigerado antes da confecção, preferencialmente a < 3ºC, tem de atingir uma temperatura elevada durante o processamento térmico e deve ser ingerido pouco tempo após a confecção.
Não é fácil conseguir este cenário num refeitório, daí ser preferível a utilização de peixe congelado. Num exemplo, a intoxicação pela neurotoxina sintetizada pelo Clostridium botulinum (tipo E no peixe) é uma realidade, e não são precisas mais de 50 μg para deixar um indivíduo à beira da morte.
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14 comentários a “Parar a ASAE?”
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Os blogs já descobriu há muito tempo, pois na rádio mantém um programa onde vai comentando o que se diz nos blogs sobre os assuntos mais populares de cada dia. (Janela Indiscreta)
Em relação à ASAE, eu vejo-a como algo positivo, porém com algum autoritarismo em excesso, como aconteceu nos restaurantes da Costa.
Algum autoritarismo em excesso como quem diz (muita!) e não só… Mal educados que só visto, tratam as pessoas como se fossem estúpidas e ignorantes por motivo nenhum, e não só vi acontecer com a minha mãe que tem um restaurante (e ela nem uma multa levou), como sei que o fizeram com muitos outros empresários da zona algarvia. São brutos e ainda por cima não sabem o que andam a fazer, se lhes perguntarmos o porque de certas regras (novas) nem nos sabem responder, enfim! É melhor nem continuar com as queixas e indignação que tenho dessa dita ASAE se não não saio daqui hoje!!!
eu o modus operandi infelizmente não conheço, só assisti a uma intervenção e foi relacionada com fiscalização económica (feira de Quarteira).
só assisti a uma palestra do Inspector Geral aquando da formação da ASAE, onde este contou algumas peripécias e experiências ocorridas principalmente em padarias e pastelarias.
acho mal que não exista qualquer explicação das regras impostas, porquê o motivo que leva as pessoas a cumprir essas mesmas regras é saber o porquê, ninguém gosta de fazer só por fazer ou porque alguém assim manda. tudo bem que são os interessados que devem investir em formação, mas podiam explicar o básico (se o souberem).
mas se as queixas forem só falta de educação, acredito que seja uma obrigação para serem considerados um órgão com poder policial.
A Autoridade (de uma forma genérica) deve impor respeito, não medo.
Deve também actuar sobre reais infractores, e não sobre traços e raízes culturais.
Soube que fecharam ontem a Ginginha. A imundice daquela loja faz parte do seu traço cultural, e exigir que seja de outra forma provavelmente mataria a magia do local.
Um organismo do tipo ASAE é, obviamente, bem vindo para regular as actividades económicas. Não quero estar a comprar pão que foi feito com baratas a passearem na farinha (o que, infelizmente, é bem frequente em padarias portuguesas).
Agora, há semelhança de tudo o resto em Portugal, é usada como arma política com dois pesos e duas medidas. É tudo feito de forma a sacar a maior quantia de dinheiro e prejudicar o empresário, quando o comportamento deveria ser outro: avisar o que estar mal, estipular um prazo e aí, então, multar. Ora, em Portugal, que precisa é de empresários e pessoas que se mexam, fazem tudo para lhes cortar as pernas. Vão sem aviso (impossibilitando alguém de corrigir o que está mal ou que desconhece que está mal antecipadamente), usam dois pesos duas medidas consoante a empresa que inspeccionam e os contactos que esta tem (já presenciei pessoalmente a ASAE a sair de um estabelecimento após uma chamada telefónica que receberam) e de forma a causar o maior dano possível.
Enfim, mais uma ideia portuguesa muito, mas muito mal implementada.
Se a ASAE fosse a Madrid… fechava(m) a ASAE!!!
Não podia estar mais de acordo contigo. Felizmente existe a ASAE.
Pois eu até concordo em parte com o jornalista. Sem contestar a existência da ASAE e da necessidade que esta tinha de ser mais interveniente acho que mais uma vez o estado se comporta como se o simples poder lhe desse direitos. E neste como em outros casos o estado actua de forma prepotente sem respeito pela própria constituição da républica portuguesa.
Ora sempre me ensinaram que os fins NUNCA justificam os meios, e se o fim neste caso é justo e necessário (fiscalizar a actividade económica) os meios utilizados nem sempre são os melhores. Muitas vezes nas inspecções o que se procura é a razão para a multa mais do que acautelar a saúde pública ou a prática correcta da actividade económica.
É de conhecimento comum que quanto mais complexa, minuciosa e burocrática é a legislação mais isso dá azo a corrupção, favorecimento e arbitrariadade. A solução? Simplificar a lei e dar aos fiscais e aos agentes económicos a possiblidade de compreender verdadeiramente a lei em vez de se refugiarem num emaranhado de regras que literalmente dão para condenar qualquer empresa que visitem se assim quiserem.
@ Mário Lopes
“Vão sem aviso (impossibilitando alguém de corrigir o que está mal ou que desconhece que está mal antecipadamente),…”
No verão passado trabalhei num supermercado. Certo dia, quando chego ao trabalho deparo-me com uma agitação fora do comum. Motivo: a ASAE tinha inspeccionado no dia anterior um supermercado da região.
Consequências: nesse dia o peixe e a carne foram especialmente seleccionados, o armazém limpo, as quebras devidamente identificadas e separadas dos artigos bons para consumo.
A questão que fica é que se a ASAE avisar com antecedência irá encontrar estabelecimentos a cumprir devidamente as normas ou apenas “remendos” de última hora para não acartar com multas?
Passada uma semana do iminente aparecimento da ASAE no dito supermercado já estava tudo como antigamente…
Pedro Ferreira,
É também o trabalho deles perceber se as empresas cumprem o seu dever ou se o que estão a ver é apenas uma manta de retalhos. A exemplo: é obrigatório nas discotecas ter bares em inox (coisa que duas discotecas no país cumprem). Não é algo que se veja a remendo: ou está ou não está.
Como digo, a actividade da ASAE deveria ser reguladora e não de lesadora. Neste momento só está a lesar e, por arrasto, a regular, quando deveria ser precisamente o oposto. Mas pronto, assim sai na televisão e dá uns bónus porreiros à malta.
Mário Lopes,
Penso que estamos a falar de assuntos um pouco distintos: uma coisa é o cumprimento de normas em relação a materiais utilizados, outra coisa é a higiene e segurança alimentar que, no meu ponto de vista, é crucial!
Em termos alimentares é muito fácil ludibriar a fiscalização quando se está de sobreaviso.
Nesse tal dia, todos os corredores da loja foram passados a pente fino à procura de produtos fora de validade (já para não falar dos dias em que aparece o técnico da Control Vet (HACCP) fazer as verificações de rotina…).
De qualquer das formas acho que tens toda a razão em relação ao mau funcionamento da ASAE em termos de fiscalização. Mas há casos e casos, e penso que em termos alimentares não deve haver qualquer tipo de aviso prévio/desculpa por parte da entidade reguladora.
Faz lembrar a tal história dos sinais de luzes nas estradas: devemos beneficiar o infractor?
Caro Tiago,
Um dia que este Blog se mude para o SAPO, também terá honras de primeira página, garantidamente
Muitos posts anteriores denotam um certo espírito que paira em Portugal e outros países latinos, o vulgo “Companheirismo Saloio”.
Há assim tanta regra que um empresário não saiba? Tretas!
Se queremos fazer lucro, as primeiras coisas a saber são as regras do jogo.
Quando estão em jogo evasão fiscal, falta de segurança alimentar, entre outras coisas, não há desculpa. Pena que uma boa parte dos processos ainda estejam em banho maria por falta de meios.
Já agora, só tem medo quem não tem as mãos limpas.
So quero deixar aqui uma coisa. o tempo ira mostrar quem tem razao. disto ninguem escapa.
Agora andam a fechar restaurantes por causa dos grelhados no carvao. adeus bolas de berlim na praia,etc… irao ver com o tempo o tao ridiculo quem defende a ASAE ira se sentir.
PS- so comia bolas de berlim na praia quem queria, so come grelhados no carvao num restaurante quem quer. e Pao com baratas se calhar nas grandes supreficies isto nao se faz??? O TEMPO O DIRÁ.