1º Encontro Nacional de Engenharia Alimentar
Vai decorrer durante os próximos dias 2, 3 e 4 de Abril o 1º Encontro Nacional de Engenharia Alimentar (ENEA). Tem (obviamente) como objectivo reunir a nível nacional os alunos do curso de Engenharia Alimentar. Foi uma ideia que partiu dos alunos do curso na Universidade do Algarve, por isso o 1º encontro será cá em Faro.
Estão a ser realizadas campanhas de divulgação nas escolas que possuem o curso e mais informação vai ser adicionada atempadamente ao fórum. O programa para os três dias conta com várias palestras, também com actividades desportivas, visitas a empresas e aos Laboratórios da Universidade do Algarve, festas e muito mais!
Eu não faço propriamente parte da organização, mas vou fazendo uns biscates aqui e ali. Ah, e também vou ser o fotógrafo oficial deste evento, através de uma escolha unânime, que elegeu o melhor (e único) fotógrafo disponível…
Parar a ASAE?
Parece que o jornalista Pedro Rolo Duarte também descobriu os blogs e o seu grande potencial masturbador de egos. Escolheu a plataforma do SAPO (acho muito bem) e teve direito a uma recepção calorosa na primeira página do conhecido apontador.
Fui dar uma vista de olhos mas fiquei logo a “patinar” no segundo post do senhor, o qual pergunta se ninguém pára a ASAE. Parar? Devíamo-nos era orgulhar de ter algo que funciona aceitavelmente e nos protege a todos. Se há medo da ASAE é sinal que não se cumprem as regras do jogo, quem tem um plano de higienização ou tem todas as facturas em ordem não tem certamente problemas de receber uma fiscalização.
Mas o mal é a forma como este assunto é olhado, qualquer um tem direito a mandar a sua posta de pescada (congelada, provavelmente), Pedro Rolo Duarte diz o seguinte:
E dá que pensar: a ASAE era uma bela ideia para pôr alguma ordem na desordem que qualquer ser humano dotado de olfacto e olhar notava em restaurantes, mercearias, supermercados.
Não mais do que o essencial para garantir a saúde pública – ou seja, o chamado asseio.
Resumir a saúde pública e a segurança alimentar às boas praticas de higiene é simplificar demasiado um trabalho complexo. Pegando no exemplo da Misericórdia de Faro, se está a comprar peixe congelado “com medo” é porque existe uma desconfiança de que o produto não é mantido ou confeccionado nas condições que garantam a segurança daqueles que frequentam os refeitórios.
Aqui não estamos a falar só de asseio durante a manipulação, nem de boas práticas de higiene. O peixe fresco tem de ser refrigerado antes da confecção, preferencialmente a < 3ºC, tem de atingir uma temperatura elevada durante o processamento térmico e deve ser ingerido pouco tempo após a confecção.
Não é fácil conseguir este cenário num refeitório, daí ser preferível a utilização de peixe congelado. Num exemplo, a intoxicação pela neurotoxina sintetizada pelo Clostridium botulinum (tipo E no peixe) é uma realidade, e não são precisas mais de 50 μg para deixar um indivíduo à beira da morte.
Suissinho no país das Dioxinas
Esta notícia tem duplo impacto porque está relacionada com a minha área de estudo e também com o meu emprego de Verão (distribuição de lacticínios Nestlé).
Na sexta-feira passada a Agência Espanhola para a Segurança Alimentar e Nutrição alertou para um nível de dioxinas acima do permitido por lei presentes no Suissinho. As quais se encontravam presentes no espessante/emulsionante E412 (Goma de Guar).
Já antes desse alerta e bastante antes das notícias da comunicação social, havia a indicação para retirar das lojas as três variedades do produto dos lotes indicados, muito deste produto ainda nem sequer se encontrava em circulação.
Não estou com isto a justificar o erro que houve por parte da Lactalis, principalmente ao nível do laboratório, porque não “escapou” às análises apenas um lote do produto em causa; mas também ao nível do sistema de HACCP, porque o problema deriva da falha de um ponto de controlo, do produtor de Goma de Guar.
O que é certo é que um erro destes, que nem chega a ter repercussões para a saúde (os níveis de dioxinas encontram-se um pouco acima do estipulado por lei, mas nunca em quantidade suficiente numa grupagem para provocar qualquer problema) já se começa a sentir nas vendas do Suissinho, cujo nome era famoso há muitos anos. E quando nos perguntam se “os Suissinhos estão envenenados” ou “porque é que isso ainda se vende”, dá para perceber o impacto na confiança dos consumidores.
Este é o primeiro post numa categoria nova, onde vou tentar mostrar porque é que eu acho que a Engenharia Alimentar tem futuro e que é um curso onde se deve apostar.

